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Alter-do-Chão te chama para mais um Sairé em setembro

Postado em 26 de julho de 2019 por Redação em Baixo Amazonas

O lugar paradisíaco tornou-se uma referência mundial ao ser considerada pelo jornal inglês “The Guardian”  a praia mais bonita do Brasil.

A vila de Alter-do-Chão, no município de Santarém, é a menina dos olhos do Pará em 2019, quando o assunto é destino turístico. O lugar paradisíaco tornou-se uma referência mundial ao ser considerada pelo jornal inglês “The Guardian”  a praia mais bonita do Brasil.

A vila, que anualmente é sede do Sairé, faz parte de Santarém, município conhecido como “A Pérola do Tapajós”, localizado na região central da Amazônia, no oeste do Pará, bem na confluência dos rios Amazonas e Tapajós.

Fundado em 1661 pelos jesuítas, durante uma expedição liderada pelo Padre João Felipe Bettendorff, o município de Santarém completa 359 anos no dia 22 de junho. A sede municipal tem muitos atrativos, entre os quais o encontro das águas, fenômeno curioso uma vez que, ao longo da cidade, as águas do rio Tapajós (esverdeadas) e do rio Amazonas (barrentas) passam lado a lado por muitos quilômetros, mas sem se misturar.

O nome de Santarém é uma homenagem à cidade portuguesa homônima, um tipo de homenagem que contemplou, só no Pará, cerca de quarenta municípios, localidades e vilas, a exemplo também de Alter-do-Chão. Historiadores apontam que essa denominação tem inspiração em um tipo de uva de produção lusa ou deriva do nome Santa Irene, mártir cristã de Portugal.

O município, distante de Belém 807km, é rico em artesanato e seus artesãos ainda seguem as tradições tapajônicas em suas técnicas, assim como no preparo da gastronomia local, regada a peixes, farinha de piracuí, frutos amazônicos e muito mais.

Visitar Santarém é agradável o ano todo. No primeiro semestre, por exemplo, o rio Tapajós eleva suas águas por conta das chuvas, que também fazem o lugar encantador para quem gosta de river tour. A partir do mês de julho as águas começam a baixar e gradualmente vão surgindo quilômetros de faixas de areias brancas , chegando a formar até 1992km de praias exóticas e primitivas, algumas desabitadas totalmente.

Uma das praias mais belas de Alter-do-Chão está na Ilha do Amor e tem o mesmo nome. Em meados de setembro sua silhueta mais parece uma guitarra e recebe visitantes de vários lugares do mundo, atraídos por sua beleza e clima de romantismo. Essa característica lhe rendeu também o nome de “caribe da Amazônia”.

Recentes pesquisas revelaram uma nova razão para que o mundo volte seus olhares para Alter-do-Chão, o lugar é o maior reservatório de água doce do mundo.

SAIRÉ:  Um dos eventos mais esperados no calendário cultural e turístico do Pará é o Sairé, manifestação folclórica realizada anualmente no mês de setembro, em Alter-do-Chão. O festival é marcado por uma disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, que se materializa em coreografias, danças, cantos e toadas, expressão encantadora das tradições dos povos indígenas borari, habitantes das  margens dos rios Tapajós e Maró-Arapiuns, no oeste do estado do Pará.

Relatos encontrados sobre a história de Alter-do-Chão e de Santarém, entre os quais os narrados no site do Belo Alter Hotel, dão conta de que depois da Missão de Nossa Senhora da Saúde, realizada pelo Padre Jesuíta Manuel Ferreira em 1738, o povo borari ficou dividido e passou a dividir-se entre as vilas de Alter-do-Chão, distrito do município de Santarém e as margens do rio Maró-Arapiuns.

Protegidos pela Fundação Nacional de Amparo ao Índio (FUNAI) e Ministério da Saúde (MS), hoje os borari somariam cerca de 350 famílias, o equivalente a 800 indígenas ainda em terras de Alter-do-Chão.

Povo forte, guardião da cultura de seus ancestrais, os boraris ainda valorizam seus rituais praticados pelos primeiros habitantes, razão da existência, ainda hoje, do “Festival Borari” que acontece todos os anos no mês de julho e desde 1990 enaltece as danças e gastronomia nativa e o “Sairé“, que acontece no mês de setembro.

Sairé, uma das mais antigas manifestações da cultura popular da Amazônia, tem mais de 300 anos e mistura a religiosidade cristã deixada pelos padres jesuítas, com as tradições indígenas.

O símbolo do Sairé é um semicírculo de cipó torcido, envolvido por algodão e enfeitado com fitas e flores coloridas, que traz ao centro três cruzes, representação cristã das três pessoas da Santíssima Trindade e um só Deus, representado ainda pela imagem da pomba que representa o Espírito Santo.

Durante o cortejo do Sairé, que de dia tem caráter religioso e à noite profano, à frente da procissão, o estandarte é conduzido por uma mulher borari, denominada simbolicamente de Saraipora.

Este ano o Sairé vai acontecer de 19 a 23 de setembro e os tambores dos povos indígenas boraris já ensaiam  seus primeiros chamados para o evento, que deve reunir em Alter-do-Chão mais de 100 mil pessoas.

O QUE VISITAR?

A ilha do Amor – A praia Ilha do Amor, além de ser cartão postal da cidade é um  dos pontos turísticos mais frequentados. Ela  fica em frente a Vila de Alter do Chão, onde os visitantes fazem travessias em apenas cinco minutos em barquinhos (catraias) a remo para desfrutar a beleza do lugar. Somente no mês de novembro é possível chegar lá andando, quando as águas já baixaram. Também tem as praias  do Cajueiro, Praia de Ponta de Pedras, e a tranquila e deserta  praia Ponta do Cururu.

Lago Verde – No Lago Verde, que abriga entre outros atrativos a Floresta Encantada (mata de igapó que fica inundada pelas águas do rio Tapajós seis meses por ano) quando o nível da água baixa é possível encontrar pequenas praias de água doce, que são alcançadas apenas de barco.  Novembro a melhor época para fazer o passeio de barco pelo Lago Verde que possui 10km de extensão, cuja cores mudam durante o dia, de azul para verde. É um dos roteiros mais importantes do ecoturismo de Alter do Chão.

Serra da Piraoca – Para quem gosta de trilhas ecológicas e avistar belas paisagens, pode escalar a Serra da Piraoca. Elevação principal em Alter do Chão, que exige certo esforço físico,  é rodeada por savanas amazônicas (cobertura vegetal constituída, em geral, por gramíneas e árvores esparsas). Aproximadamente em uma  hora de caminhada chega-se ao  topo da serra, onde a visão  da região de Alter do Chão e das águas verdes do  rio Tapajós é espetacular.

Comunidade do Maguary – Para quem for visitar a comunidade de Maguary,  localizada dentro da Floresta Nacional do Tapajós (Flona), a dica é conhecer o cotidiano dos indígenas que habitam naquela área de proteção ambiental. Seu acesso pode ser feito de carro com tração ou  barco.  A comunidade faz parte do projeto de apoio ao manejo florestal sustentável da Amazônia. O passeio propicia ao visitante conhecimento sobre a utilização dos recursos naturais pelas populações ribeirinhas. A comunidade vive da produção de farinha de mandioca, feijão e arroz para subsistência. O couro ecológico(artesanal) é a nova fonte de renda, durante a visita é possível conhecer todo processo de transformação do látex em produtos ecologicamente correto.

Outra dica é visitar as praias de Pindobal ou Aramanai, na rota da Flona, e quem prefere lugares menos frequentados, pode optar também pelas praias  do Cajueiro,de Ponta das Pedras, e a tranquila e deserta  praia da Ponta do Cururu.

GASTRONOMIA

A especialidade gastronômica de Santarém são os peixes dos rios Tapajós e Amazonas  como o pirarucu, tucunaré , tambaqui, filhote e Surubim que combinados com as especiarias  satisfazem os paladares mais exigentes. Os peixes e mariscos podem ser  servidos na chapa, na manteiga, em forma de moqueca ou à escabeche. O turista pode se deliciar com um cardápio variado de todas as formas e sabores.

Vale a pena conhecer   a noite da “Piracaia”; Peixe assado na brasa, apenas com sal e limão,  servido com farinha de mandioca e pimenta.  O banquete sob o céu estrelado  é elaborado  por pescadores, durante a noite sob o calor da fogueira, acompanhado dos deliciosos sucos regionais,  rodeado de pessoas animadas  ao som de violão e música. Os principais chef´s estão sempre à postos também, para um ritual mais elaborado e também indicam bolinhos e outros pratos à base de farinha de piracuí, feita com a carne desfiada do Acari, peixe típico da região.

COMO CHEGAR?

A Vila de Alter do Chão,  está localizada à margem direita do rio Tapajós, e fica cerca de 32 km do município de Santarém e 1.511 km de Belém. Seu acesso, a partir de Santarém, pode ser por via terrestre e fluvial e dura entre 40 minutos (de carro) a uma hora (de barco). Saindo de barco de Belém até Santarém, a viagem dura aproximadamente 53 horas ou dois dias e meio. Se for de carro, pode pegar a Rodovia Everaldo Martins – PA 547, principal via de acesso à vila. Ou pode ir  de avião até Santarém e de lá, ir de barco, carro ou ônibus até a vila de Alter-do-Chão.

Texto: Benigna Soares
Fonte
: Rede Pará

Fotos: Thiago Gomes / Agência Pará

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